Crimpagem Conectores RJ-45

conector-rj45Neste artigo vou explicar sobre os esquemas de crimpagem de conectores RJ-45 em cabos por par trançado conhecido também como UTP (Unshielded Twisted Pair). Não é escopo deste artigo discutir sobre o cabo em si, que ficará para outro artigo. Após explanação sobre os três esquemas de crimpagem apresentarei um vídeo onde mostrará na prática a confecção do cabo de rede completo.

A importância de um conector crimpado com cuidado e capricho, seguindo as normas técnicas, é de longe fundamental para evitar problemas de conexão e comunicação na rede. Esses problemas podem trazer colisões de pacotes, perda de dados, indisponibilidade de comunicação e consequentemente até prejuízos econômicos em ambientes de alta disponibilidade e missão crítica. Sendo assim vamos dar uma olhada no que diz as normas técnicas e em seguida no cuidado que devemos ter ao crimpar os conectores.

Pelo fato de não haver uma padronização para cabeamento de redes, em 1992 a EIA (Electronics Industries Alliance) e a TIA (Telecomunications Industry Association), apresentaram uma proposta de padronização de fios e cabos utilizados para fazer o sistema de telecomunicações em prédios comerciais. Essa primeira versão foi denominada EIA/TIA-568, que tinha como objetivo estabelecer um padrão para ampla utilização em cabeamento de telecomunicações por diferentes fornecedores, pois cada um tinha sua forma de fazer dificultando a interoperabilidade das redes e uso de materiais de fabricantes diferentes.

No início de 1994 a EIA/TIA publicou a norma revisada 568-A que tratava das especificações para cabeamento UTP (Unshielded Twisted Pair), cabo par trançado não blindado de categoria 4 e 5. Sete anos mais tarde, em 2001, foram publicadas a norma 568-B, subdividida em B.1, B.2 e B.3. A norma 568-B.1 tratava de requisitos para testes de campo para cabos de cobre e fibra óptica. A norma 568-B.2 tratava dos requisitos para conectores e cabeamento de cobre. A norma 568-B.3 tratava dos requisitos para conectores e cabeamento com fibra óptica.

Os avanços na área de cabeamento continuaram e as normas EIA/TIA 568-B receberam diversas revisões e complementos para acompanhar o desenvolvimento da tecnologia. Por esse motivo a ANSI (American National Standards Institute) definiu que as normas desenvolvidas pelos respectivos comitês responsáveis fossem revisadas dentro do período máximo de 5 anos.

Em 2009 foi publicada a norma ANSI/TIA 568-C com divisão em quatro partes principais (568-C.0, 568-C.1, 568-C.2 e 568-C.3). A EIA deixou de existir e toda administração das normas ficaram a cargo da ANSI.

O Brasil possui sua própria norma para padronizar o cabeamento no país, sendo mais atual a ABNT 14565:2007, baseada na ISO/IEC 11801. Essa norma foi elaborada no Comitê Brasileiro de Eletricidade (ABNT/CB-03) pela Comissão de Estudo de Cabeamento de Telecomunicações (CE-03:046.05). Mas devido aos fabricantes terem escolhido o padrão norte-americano (ANSI/TIA) este é o mais usado aqui.

Após abordar as normas que deram origem aos padrões de confecção dos cabos, vamos falar sobre os três tipos de crimpagem que são usados em larga escala. São eles o padrão EIA/TIA 568-A, EIA/TIA 568-B e o crossover (cabo cruzado).

Os padrões 568-A e 568-B não se diferenciam em nada no quesito de atributo físico ou performance do cabeamento. A única diferença está na ordem das disposições de cores ao se crimpar o conector. Nos referimos a esses dois esquemas de crimpagem como ligação direta, pois as duas pontas possuem a mesma ordem de cores, utilizados para interligar computadores a outros dispositivos como hubs ou switches.

rj45_padrao_568a

rj45_padrao_568b

Nos dois desenhos esquemáticos acima, pode-se perceber que a única diferença é a troca da ordem das cores branco/verde, verde, branco/laranja e laranja. Os dois esquema como mencionado mais acima não se diferenciam em nada em relação à sua função. Neste caso fica a cargo do profissional a opção por qual usar. Vale lembrar que para a conexão direta as duas pontas devem seguir a mesma ordem de pinagem, ou seja, a duas pontas devem ser crimpadas com padrão 568-A ou 568-B.

Outro esquema utilizado para ligação entre dois computadores (ligação ponta-a-ponta) ou entre hubs/switches (ligação cascata) é o crossover (cruzado). Atualmente os switches e hubs modernos possuem uma função chamada auto-crossover que permite uso de cabos comuns (ligação direta) entre dois equipamentos de mesma função (modems, hubs, switches, etc.).

esquema_crossover

Na figura acima podemos perceber que o cabo crossover na mais é que a utilização de dois padrões distintos em cada ponta. Em uma ponta utiliza-se o padrão 568-A e na outra o padrão 568-B. Efetivamente são utilizadas as pinagens 1, 2, 3 e 6 pela camada física, tanto no modelo OSI quanto no TCP/IP, padrão 100baseT que teoricamente atinge a velocidade máxima de 100 Mbits/s.

Para se crimpar conectores RJ45 são necessárias algumas ferramentas. As ferramentas podem ser utilizadas de forma individual ou podem ter todas as funções embutidas em apenas uma. O processo para crimpagem envolve descascar o cabo, separar os pares trançados, alinhas os fios, refilar as pontas, inserir no conector, crimpar e testar o cabo pronto. As ferramentas mais utilizadas são o alicate de crimpar, descascador de cabo, alicate de corte e testador de cabos. Muitos alicates já possuem as três primeiras funções embutidas. Vamos apresentar as ferramentas citadas.

alicate_crimparAlicate de crimpar

descascador_cabosDescascador de cabos

alicate_corte_precisaoAlicate de corte – precisão

testador_cabosTestador de cabos

Com essas ferramentas e o conhecimento dos principais esquemas de crimpagem para conectores RJ45 é possível confeccionar qualquer cabo para usar em diversos tipos de redes e cabeamentos estruturados. Vale lembrar que o tamanho máximo do cabo de rede é de 100 metros, conforme norma ANSI/TIA/EIA 568-B.

Cable Length
The maximum distance between the telecommunications outlet and the horizontal cross connect shall be no more than 90 meters. The maximum length of all patch cords and jumpers in the telecommunications closet shall be no more than 5 meters, and the total length of all patch cords both in the telecommunications closet and at the work area shall be no more than 5 meters.”

ANSI/TIA/EIA-568-B.1

Tradução:

Comprimento do Cabo
A distância máxima entre o conector de telecomunicações e a conexão cruzada horizontal não deve ser maior que 90 metros. O comprimento máximo de todos os patch cords e jumpers no armário de telecomunicações não deve ser superior a 5 metros, e o comprimento total de todos os cabos de manobra, tanto no armário de telecomunicações quanto na área de trabalho não deve ser superior a 5 metros.”

Vídeo Tutorial

 

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Autor: Rogério Fernandes Pereira

Profissional com 28 anos de experiência em Tecnologia da Informação e Comunicação com acúmulo de grande experiência em diversas áreas relacionadas, como a programação, editoração gráfica eletrônica, gestão, docência, pesquisa e infraestrutura. Os trabalhos desenvolvidos nesses anos de carreira nas diversas empresas de porte pequeno, médio e grande, contribuíram para aprimoramento ou desenvolvimento de novas políticas, serviços ou produtos gerando economia de recursos ou maximizando retorno econômico, por meio da modernização dos processos de TI e infraestrutura. Ativista do Software e Conhecimento Livre é membro oficial da Comunidade GNU Health Internacional.

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